domingo, 25 de dezembro de 2011

Achados na Net #2



Mas este, é fato.

Achados na Net.


Blitzkrieg






O destino, talvez por um motivo qualquer quisesse que eu estivesse ali, na verdade esse não era exatamente o momento para pensar em algo sobre isso, contudo eu não sabia como começar, olhei a multidão na volta, rostos despreocupados, sorrisos leves, e conversas despretensiosas.  Cheguei a conclusão que talvez o natal deixe as pessoas assim, “desligadas” , mas essa minha teoria não iria resolver nada, porque naquele lugar nem todos estavam com o coração carregado de boas intenções.
Depois desse prólogo com a minha consciência que por incrível que parece durou 3 segundos eu precisava agir e rápido, bem na minha frente eu vi um papai Noel, daqueles tradicionais, barba branca longa e falsa, barriga saliente e um enorme saco vermelho nas  costas. Sim, uma cena típica de natal em uma grande loja, a não ser por um detalhe, Papai Noel  estava armado. Aquilo foi demais para as minhas crenças infantis, além de o bom velhinho não existir de fato, agora ela andava armado. Tudo bem que eu generalizei um pouco, mas foi o que veio em mente, e confesso isso foi um choque.
                Suas intenções obviamente eram as piores possíveis, foi então que me ocorreu o improvável, mas naquela situação nada alem disso eu poderia fazer, foi então que começou a primeira parte da perseguição, a última coisa que vi antes de me mover foi um vulto vermelho entrando em uma portinhola vermelha com um sinal vermelho, saliente que dizia “saída”. Despenquei entre, sacolas, pacotes, pessoas que me olhavam desconfiadas, pensei em dizer algo como, “desculpe, estou perseguindo o papai Noel armado, não se preocupem”.
                Quando entrei na portinhola a única coisa que vi foi uma escadaria, longa e íngreme que apenas descia, bom, as coisas estavam ficando interessantes, sabia até o caminho a seguir. Tentei descer da maneira mais rápida que pude, era metal, escutava o barulho dos meus sapatos, das minhas sacolas, não estava sendo nada discreto, foi então que vi uns dois andares abaixo, mais um vulto vermelho, estava no caminho certo, mas naquela altura, Papai Noel estava sabendo que o seu plano não havia tido todo o sucesso esperado e estava sendo seguido pelo “justiceiro natalino”, foi à melhor definição que achei.
                Não podíamos descer para sempre, então avistei a mesma placa vermelho cintilante indicando saída, acho que ganhei alguns segundos na perseguição a Papai Noel, se muito estava a meio andar de diferença, alcancei a porta, com certa violência abri. Estava escurecendo, não me surpreendi que a saída de segurança fosse acabar em um beco, mas sim com o que vi na seqüência, Papai Noel me fitava com um sorriso sarcástico, ainda segurava o “Colt”, não sei por que ele iria fazer o contrário, e minha noite de justiceiro natalino tinha seu fim. Sim podia ter ido para casa, fingir que não havia visto nada, poderia ter feito tantas outras coisas, mas nada que eu fizesse agora iria mudar. A única coisa que eu pensei, de forma insana disse:
                -Feliz Natal. Então olhei para único lugar onde enxergava luz, larguei sacolas, e  corri.
                Dei três passos, e ainda continuei vivo, já estava no lucro, continuei, o mais rápido que consegui, virei a esquerda, entrei na multidão, permaneci vivo, corri mais um pouco, comecei a caminhar, tinha sido tragado pela atmosfera natalina novamente e pelo turbilhão de pessoas, agora já rumando as suas casas, pensei na minha situação, o que preferia não ter feito, na história que eu precisava contar “Querida estava com as compras feitas, vi um papai Noel armado, resolvi seguir, ele me rendeu, perdi os presentes, mas to aqui vivo, tudo bem? , você e as crianças vão ficar bem sem os presentes, certo?” Nada convincente.
                O que uma pessoa que esta fugindo faz quando acha que não precisa mais fugir? Sim, olha para trás, e quando olhei percebi que não teria sossego, vi um ponto vermelho procurando espaço entre a multidão e avançava claro, em minha direção.  Começou a segunda parte da perseguição, agora de forma mais desfavorável, estava em desvantagem. Como já não tinha presentes, corri, para salvar minha vida. Começou a ficar mais escuro, já não via tantas pessoas, não fiz questão de olhar para trás, sinceramente não era necessário, já devia estar em casa, mas fugir do Papai Noel armado era mais providencial no momento, continuei correndo até não conseguir respirar, parei, era a hora de arcar com as conseqüências, a batalha final entre o “justiceiro natalino” e o “papai Noel armado”, e aquilo tudo teria um fim, bom ou mal, alguém iria sair perdendo, e eu estava em desvantagem, porém não adiantava mais reclamar, era hora de encarar os fatos.
                Cheguei em casa, fui recebido com entusiasmo, contudo não consegui responder  a altura, coloquei os presentes embaixo da árvore de natal, precisava urgentemente de um banho e vestir o espírito natalino que naquela noite havia perdido. Abraços, presentes, comida, crianças correndo, conversas, enfim natal, fui indagado como estava o movimento e se eu tinha feito o costume de sempre, comprar os presentes na ultima hora, com um ar se satisfação,  disse:
                -Sim sim, sabe como sou desligado, esqueci as sacolas na loja, Um papai Noel, sujeito impar, percebeu, coitado, precisou correr atrás de mim, mas acabou bem.
                Aquelas foram as minhas únicas palavras na noite.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Post insignificante de Natal.



Não quero falar sobre o significado do natal e todas essas baboseiras que são discutidas todo o ano, cada um sabe o que faz, o que pensa e tem ou não sua opinião formada e ponto final. Acho simplesmente o natal à data mais emblemática, digamos assim, é tempo de sorrir, de repente acreditar em alguma coisa, se importar (não que você não deva fazer isso o ano todo), o que eu quero dizer é que não se deve apenas dizer Feliz Natal e sim, ter uma Noite Feliz (trocadilho infame).
Outra consideração sobre o espírito natalino, o homem tem quatro idades: quando acredita em papai noel, quando não acredita em papai noel, quando é o papai noel e quando se parece com papai noel.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

2012 Novo recomeço (ou não)





            Já reparou como estamos condicionados com o fim. O fim do dia, o final da semana, o fim do mês, do ano, do século, como se tudo necessáriamente precisasse ter fim, para assim como um ciclo, ter um começo, na verdade, um recomeço. O dia de amanhã vai ser melhor,  no mês que vem vou fazer diferente, ano que vem vou recomeçar e fazer tudo que não fiz, no século que vem não haverá fome no mundo. O que seria de nossas vidas sem relógios, calendários essa series de ciclos de fins e recomeço que inventamos para tentar ter um motivo para recomeçar e fazer ano que vem tudo que não fizemos nesse? Realmente estamos muito condicionados a isso, que seria inimaginável viver sem ou de outra maneira.
 Bom, como minha intenção é não estragar sonhos e esperanças, vou usar de Raul para começar a contradição: "Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes". Ou seja não há beleza no politicamente correto, precisamos sonhar, fantasiar até certo ponto, e acreditar que 2012 será melhor, absolutamente maior, como nunca antes, o ano de nossas vidas. Bem vindo jovem, o mundo é feito de contradições, três lados, algumas apostas, flores, perfumes e cachorrinhos. ( E essa ave ai, kkkk)